Títulos de Maria

A imagem milagrosa de Nossa Senhora do Bom Conselho

Conheça a surpreendente história da imagem de Nossa Senhora do Bom Conselho, as graças, os milagres e prodígios que dela se sucederam

A devoção a Nossa Senhora do Bom Conselho cresceu e se espalhou pelo mundo depois de um prodígio surpreendente e maravilhoso. Em meados do século XIV, a Albânia passava por grandes aflições. Depois de perder Jorge Castriota, seu valoroso líder, mais conhecido por Scanderbeg, que significa “príncipe Alexandre”, o povo albanês tinha duas trágicas alternativas: abandonar sua pátria ou sujeitar-se à escravidão aos turcos.

Nessa terrível situação, a Virgem do afresco de “Santa Maria de Scútari” aparece em sonhos a dois dos valentes soldados de Scanderbeg, chamados Georgis e De Sclavis, ordenando-lhes que a seguissem em uma longa viagem.

A imagem milagrosa de Nossa Senhora do Bom Conselho

Certa manhã, os dois soldados estavam em fervorosa oração quando o afresco da Virgem Maria se desprendeu da parede e, conduzido por anjos, envolto em branca e luminosa nuvem, suavemente se retira do lugar onde estava e se dirige para a Itália na companhia dos dois soldados.

Naquela mesma época, na pequena cidade de Genazzano, vivia uma piedosa viúva chamada Petruccia de Nocera, digna terciária da ordem agostiniana. Beata Petruccia era muito devota da Mãe do Bom Conselho, venerada numa velha igreja da cidade. Essa piedosa senhora ficou perplexa ao receber do Espírito Santo a revelação de que Maria Santíssima, em sua imagem de Scútari, desejava sair da Albânia. Depois, a Beata assombrou-se ainda mais ao receber da própria Virgem Santíssima a ordem expressa de edificar o templo que deveria acolher a sua imagem.

Em obediência à ordem recebida, sob a direção dos agostinianos, com seus próprios recursos, a Beata começou a construção do templo. Mas quando suas paredes tinham apenas um metro de altura, seus parcos recursos acabaram e, por isso, Petruccia passou a ser alvo de zombarias. Até que, no dia 25 de abril de 1467, festa de São Marcos, padroeiro de Genazzano, o povo ouve uma melodia de rara beleza, vinda do céu. Todos fizeram silêncio e notaram que aquela música vinha de uma nuvem branca, que desceu aos poucos e se dirigiu para a parede de uma capela lateral da igreja inacabada.

Diante de todos, a nuvem desapareceu e ali estava – suspenso no ar, sem nenhum suporte visível – o sagrado afresco de Nossa Senhora do Bom Conselho! Que alegria para a Beata Petruccia, que estava presente, e quanto consolo para Georgis e De Sclavis, quando lá chegaram! Estava confirmado o desígnio divino revelado à humilde Beata Petruccia. Dessa forma, começou em Genazzano a longa e ininterrupta concessão de milagres e graças pelas mãos maternas de Nossa Senhora do Bom Conselho.

A imagem milagrosa de Nossa Senhora do Bom Conselho

A conservação da pintura de Nossa Senhora do Bom Conselho, com a perenidade de suas cores, é um prodígio extraordinário. Pois, mesmo afrescos de grandes mestres, como Michelangelo e Rafael, vão-se esmaecendo com o passar do tempo, apesar de alguns deles se encontrarem em locais apropriados, com temperatura e luminosidade controlados, bem resguardados e pintados em grossas paredes. Entretanto, a pintura da Virgem do Bom Conselho, mesmo sobre extremamente fina camada de reboco, mantém suas cores fortes até hoje.

Outro prodígio, ainda mais impressionante, é que, desde a sua chegada a Genazzano, há 550 anos, a imagem da Senhora do Bom Conselho permanece suspensa no ar, sem nenhum apoio na parede ou qualquer outro tipo de suporte que a mantenha em tão extraordinária condição estática! Infelizmente, o altar e a moldura que abrigam a imagem não deixam à vista prodígio tão surpreendente. “Todavia, comprovam-no várias declarações prestadas sob juramento, de testemunhas altamente fidedignas, existentes nos registros da história do Santuário”1.

Um terceiro prodígio, não menos extraordinário e surpreendente do que os precedentes, é o fato de que a imagem sofre variações fisionômicas e de colorido. Diversos pintores talentosos e reconhecidos esmeraram-se em fazer reproduções da venerável efígie. “Seus esforços, contudo, resultaram vãos, pois as cores do original, especialmente das faces de Nossa Senhora e do Divino Infante, mudavam, variando dos matizes dourados do trigo aos tons avermelhados e vivos de uma rosa”2. Além disso, os traços fisionômicos de Jesus e de Maria se alteravam, exprimindo desde uma tristeza suave até uma alegria radiante, como que em reposta às orações dos fiéis.

A torrente de graças e milagres da Mãe do Bom Conselho

Os mais terríveis sofrimentos do espírito ali são infalivelmente reconfortados diante da imagem milagrosa da Mãe do Bom Conselho de Genazzano. Não há quem reze diante do maravilhoso afresco e não fique com a alma profundamente tocada e, de algum modo, seus pedidos são atendidos. A respeito da presença santificadora do santo afresco de Mater Boni Consilii, escreve o historiador Mons. Dillon:

“A seus pés, as penas do espírito, as mais terríveis que possam afligir o homem, são infalivelmente reconfortadas. Os perturbados encontram a serenidade; os que estão na angústia, um bálsamo; os aflitos, a consolação. Uma calma e santa paz é infundida na alma, a qual parece um antegozo do repouso que desfrutam os Bem-aventurados no Paraíso. Essa paz deve vir ao pecador por Maria ou não lhe virá de nenhum modo. Seria impossível contar quantas vezes os que se dirigem ao seu Santuário de Genazzano recuperam esta paz. Aí, existe uma missão continuamente crescente, cujo pregador é a própria Virgem Mãe do Bom Conselho; mas um pregador tão poderoso que os milagres de conversão são continuamente operados por secretas e inefáveis palavras, que Ela diz à alma por meio de sua Santa Imagem”3.

Para uma exata verificação da torrente de milagres e auxílios sobrenaturais que se deram até hoje nesse Santuário, seria necessário um departamento especializado que, sem indiscrição, conseguisse depoimentos dos devotos que se aproximam do afresco sagrado. Mesmo que houvesse o atendimento permanente, não é certo que haveria mãos suficientes para registrar as graças e os favores ali concedidos. Sobre esses milagres e prodígios concedidos aos fiéis pelas mãos da Mãe do Bom Conselho, diz Mons. Dillon:

“Nas coisas de pouca importância, bem como nas maiores, todos estão certos de experimentar nesse Santuário de Maria essa verdadeira compaixão, este sentimento espontâneo e terno de uma Mãe cheia de bondade e de solicitude, de tal modo interessada pelas nossas menores necessidades que está pronta, sempre pronta, a aliviar a menor dor, empregando a qualquer hora todo o seu poder junto a Deus”4.

Os Papas e a Senhora do Bom Conselho

Pessoas de todas classes, desde os grandes santos até os mais pecadores, do povo extremamente pobre até os mais ricos e poderosos, dos leigos e clérigos até os membros da mais alta hierarquia da Igreja Católica, mesmo os Soberanos Pontífices, nutriram uma terna e especial devoção a Senhora do Bom Conselho. A título de exemplo, entre muitos outros que poderíamos citar, trazemos à memória três grandes Soberanos Pontífices: Papa Leão XIII, Papa São Pio X e Papa São João Paulo II.

O Papa Leão XIII foi um grande propagador da devoção à Mãe do Bom Conselho. Em 1893, Leão XIII aprovou e concedeu diversas indulgências ao escapulário próprio da devoção a Nossa Senhora do Bom Conselho. Dez anos depois, em 17 de março de 1903, o Pontífice elevou o Santuário de Genazzano à categoria de Basílica Menor. Para mostrar ainda mais seu amor a Senhora do Bom Conselho, no dia 22 de abril de 1903, por um decreto da Sagrada Congregação dos Ritos, o Santo Padre incluiu a invocação Mater Boni Consilii na “Ladainha Lauretana”, também conhecida como “Ladainha de Nossa Senhora”. O Papa Leão XIII também “restaurou o convento e ali fez construir o andar superior, a fim de abrigar os numerosos sacerdotes que acorriam nos dias festivos ao Santuário para ministrar aos peregrinos o Sacramento da Penitência”5.

Durante o conclave que o elegeu, Giuseppe Melchiorre Sarto, então Cardeal Patriarca de Veneza, temia o pesado fardo que o Senhor lhe poria aos ombros como Sumo Pontífice da Igreja Católica. Angustiado, Cardeal Sarto dirigiu-se ao altar de Mater Boni Consilii, erigido por Pio IX no Palácio do Vaticano, para implorar seu materno e suave socorro. Algumas horas depois, o Cardeal mudava de opinião e desistia da resposta negativa à sua eleição. Sob o nome de Pio X, o Papa Sarto governou a Igreja Católica com grande prudência e sabedoria, num tempo em que o mundo vivia muitas incertezas e sofrimentos. Como sinal de sua devoção, o Papa São Pio X, o grande Pastor Angelicus, conservou em sua escrivaninha uma imagem da Rainha do Bom Conselho, ao longo de todo seu benéfico pontificado.

O saudoso Papa São João Paulo II, em uma de suas primeiras audiências gerais, em 25 de outubro de 1978, ao falar sobre a necessidade da prudência para todos os homens, perguntava-se:

“O que deve fazer, então, o novo Papa, a fim de agir prudentemente? […] Deve rezar e empenhar-se para ter aquele dom do Espírito Santo que se chama dom do conselho. Os que desejam que o Papa seja o Pastor prudente da Igreja, implorem para ele o dom do conselho. E também para si próprios peçam esse dom pela especial intercessão da Mãe do Bom Conselho”6.

Nossa Senhora do Bom Conselho, rogai por nós!

MONS. JOÃO SCOGNAMIGLIO CLA DIAS, EP. Mãe do Bom Conselho.
2 Idem
3 Idem
4 Idem
5 Idem

Natalino Ueda
Natalino Ueda é brasileiro, católico, formado em Filosofia e Teologia. Na consagração a Virgem Maria, segundo o método de São Luís Maria Grignion de Montfort. É o autor do blog Todo de Maria

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