Devoção

Testemunho dos Pastorinhos de Fátima contagia fiéis ainda hoje

Confira a história de uma leiga e de um sacerdote que foram conquistados pelo testemunho de fé de Lúcia, Francisco e Jacinta, os pastorinhos de Fátima.

André Cunha
Da redação

Quem diria que o mundo conheceria, 100 anos depois, a história que contaram três crianças, pastoras de ovelhas, que moravam numa região rural de Fátima, em Portugal.

Foto: Arquivo / Arautos do Evangelho

Era 13 de maio de 1917. Lúcia de Jesus, 10 anos, Francisco Marto, 9 anos e Jacinta Marto, 7 anos, após a Missa na igreja de Aljustrel, lugarejo de Fátima, foram pastorear o rebanho de ovelhas nas terras do pai de Lúcia, na Cova da Iria.

Após um clarão, como o de um relâmpago, mas num céu claro, sobre uma carrasqueira (arbusto regional) de metro e pouco de altura apareceu-lhes, segundo as descrições de Irmã Lúcia, “uma Senhora vestida toda de branco, mais brilhante que o sol, espargindo luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente”. Era a Virgem Maria, conforme a própria Igreja Católica reconheceu, anos depois.

As crianças viram Nossa Senhora por seis vezes, sempre ao décimo terceiro dia de cada mês, na Cova da Iria. Após essas aparições, as crianças, segundo os relatos de Irmã Lúcia, ainda tiveram outras experiências místicas com a Mãe de Deus.

Como Nossa Senhora já os tinha dito, Francisco e Jacinta não viveram muito tempo. Pouco mais de um ano, após as aparições na Cova da Iria, eles adoeceram gravemente, acometidos de bronco-pneumonia. Jacinta morreu no dia 20 de fevereiro de 1920; Francisco, dia 04 de abril de 1919. Já Irmã Lúcia, viveu mais tempo, e coube a ela a missão de espalhar a devoção ao Imaculado Coração de Maria. A religiosa faleceu em 13 de fevereiro de 2005, aos 97 anos de idade.

Lúcia de Fátima / Foto: Arquivo pessoal

A vida destas três crianças continua a impressionar e influenciar a vida de muitas pessoas pelo mundo a fora. Em Virgínia, interior de Minas Gerais, é exemplo disso: Lúcia de Fátima Ramos Ribeiro, de 60 anos, traz o nome que sugere a importância que os pastorinhos tiveram em sua vida.

Lúcia é fruto de uma promessa feita por sua mãe a Nossa Senhora de Fátima. Segundo conta, sua mãe já tinha quatro filhos. Na quinta gestação, a criança faleceu. A partir de então foram mais quatro perdas. Foi então que a mãe prometeu que os próximos filhos teriam os nomes das crianças videntes de Fátima.

A primeira nasceu e recebeu o nome de Jacinta, mas morreu poucas horas depois do parto. Chegou a vez de Lúcia de Fátima, em seguida, Francisco. Depois deles, foram mais quatro filhos.

Para Lúcia de Fátima, foi a fé em Nossa Senhora de Fátima que lhe concedeu a vida; e ainda pequenos, era ensinada, junto com os irmãos, sobre a história da Cova da Iria. “Minha mãe era uma mulher de muita fé que passou para nós essa devoção. Engraçado que, quando éramos pequenos, meu irmão e eu íamos para o pasto e a gente ficava lá, querendo que Nossa Senhora aparecesse para nós também”, conta Lúcia, com bom humor.

Ela afirma ainda que a devoção a Nossa Senhora sempre foi cultivada na família. Tinham uma imagem em casa e, ao redor dela, se reuniam para rezar o terço, onde a mãe transmitia-lhes a devoção. “Ela dizia: eu dei vocês para Nossa Senhora de Fátima, vocês são dela”, diz Lúcia.

A devoção de um padre

Padre Fernando Santamaria / Foto: Canção Nova

Padre Fernando Santa Maria também foi conquistado pelo testemunho dos pastorinhos. Ele é missionário da Comunidade Canção Nova, e em 2003, foi transferido para a missão da comunidade católica em Portugal. O sacerdote contou à nossa equipe sua experiência de devoção com as três crianças de Fátima:

“Como muitos, quando têm o primeiro contato com a mensagem de Fátima, eu também a pensava de forma bem reduzida: Nossa Senhora apareceu para três crianças; elas foram agraciadas. Somente quando fui remanejado para Portugal, a partir de 2003, chegando ao Santuário, vivendo dia a dia a missão Canção Nova, tendo contato com a mensagem de Fátima, cresceu em mim esta admiração e, ao mesmo tempo, gratidão pelo testemunho dos pastorinhos.

Também fui percebendo como eles eram diferentes, embora da mesma família (Lúcia era prima dos irmãos Jacinta e Francisco), tão diferentes, mas tão unidos naquela graça que receberam, mas que não anulou as características deles, pelo contrário, potencializou-as. Poder perceber, por exemplo, em Francisco, com seu jeito mais calado, como ele conseguiu, com a ajuda da mensagem de Fátima, se tornar uma pessoa contemplativa, no silêncio fecundo, num encontro com Deus no silêncio… E ao mesmo tempo, perceber em Jacinta, que tinha outro temperamento, mais nova que Francisco, como foi crescendo nela a compaixão pelos pecadores, a ponto de oferecer tantos sacrifícios pela salvação das almas.

Poderia também falar da irmã Lúcia, embora não tenha sido beatificada ainda, e destacar sua obediência perante os pedidos de Nossa Senhora e as graças que Deus ia concedendo.

Ao viver em Portugal e participando das celebrações, sempre foi me tocando a correspondência destes pastorinhos àquele grande dom que foram as aparições e a mensagem de Fátima. Crianças que, com a idade que tinham, já cooperavam com a graça de Deus para um benefício que extrapolava o processo de maturidade delas.

Hoje a mensagem de Fátima chega aos cinco continentes e atrai tantos carismas em torno de Fátima, inclusive o carisma Canção Nova. Tudo isto, em torno de um carisma que aconteceu através da resposta diária dessas crianças. São grandes exemplos e não tem como não ser tocado pelo testemunho deles”.

Depois do relato, o padre explicou o simbolismo da infância, da criança, muito forte e com uma linguagem que ajuda a compreender as disposições básicas para um cristão, independente da fase que ele se encontra, que se resume em “uma dependência total do Pai do Céu, uma abertura ao crescimento, mirando a estatura adulta de Cristo Jesus”.

Padre Fernando apontou ainda o pessimismo contemporâneo, que se manifesta de várias formas, e leva as pessoas a desacreditarem na santidade, e no possível alcance de virtudes heroicas. “De fato, vivemos num tempo que exige o heroísmo… O heroísmo da justiça, da prudência, da verdade, da honestidade, da fortaleza, enfim, tantas situações pedem pra nós atitudes heroicas. E se a gente vai seguir essa ideologia pessimista que está no ar, nós não damos passos para as virtudes”, disse completando em seguida:

“As crianças com tão pouca idade, com ajuda de Deus e de Nossa Senhora, alcançaram essa graça. Então, a mensagem de Fátima vivenciada, nos ajuda a viver a santidade”.

Francisco e Jacinta serão beatificados no sábado, 13 de maio, em Portugal, durante uma Missa presidida pelo Papa Francisco.

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