300 anos de Aparecida

Recorde as visitas dos Papas ao Santuário Nacional

Nos 300 anos de história da imagem de Aparecida, visitas dos Papas foram momentos marcantes

Jéssica Marçal

Da Redação

Nesta quinta-feira, 12, a Igreja católica celebra os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida nas águas do Rio Paraíba do Sul. Ao longo desses 300 anos de história, vários foram os acontecimentos marcantes, como a visita de três Papas ao Santuário Nacional dedicado à Padroeira do Brasil.

O sacerdote redentorista Antônio Agostinho Frasson esteve presente nesses três momentos históricos. É com orgulho e saudosismo que ele guarda a fotografia tirada com o Papa João Paulo II, que visitou o Santuário Nacional em 4 de julho de 1980. Nessa ocasião, não só Aparecida, mas o Brasil recebia a visita de um Papa pela primeira vez.

Padre Frasson mostra a foto tirada com o Papa João II na visita do Pontífice a Aparecida / Foto: Reprodução – Arquivo Pessoal

“Com essa presença do Papa o povo ficou entusiasmado em acolher o Sucessor de Pedro, o Papa da Igreja católica em todo o mundo. Para o povo deve ter sido mesmo uma recordação imensa. Eu me lembro que eu tinha trinta e tantos anos, agora eu estou com 71; nesses 37 anos realmente a gente lembra, ou tem uma foto, ou uma gravação e o povo viveu entusiasmado”, afirma.

Padre Antônio recorda ainda a ocasião especial que levou o Papa polonês à Aparecida. João de Deus, como foi popularmente chamado aqui no Brasil, foi consagrar a Casa da Mãe de Deus, um lugar onde ele disse que pulsava o coração católico do Brasil. João Paulo II manifestou sua alegria e emoção pelo encontro com a senhora Aparecida, uma visita que segundo padre Antônio foi um exemplo de devoção que ajuda a despertar nos fiéis o desejo de um dia também realizar essa peregrinação. “Se o Papa é devoto de Nossa Senhora Aparecida, o que acontece? Quem está longe, a 600, 1000 quilômetros daqui fala ‘um dia eu vou lá onde o Papa foi’”.

Bento XVI

Multidão reunida para a Missa com Bento XVI em Aparecida / Foto: Arquivo Canção Nova

27 anos depois, o clima de entusiasmo por uma visita papal voltou a tomar conta dos fiéis que se reuniram em massa no Santuário Nacional para acolher Bento XVI. Ele visitou Aparecida nos dias 12 e 13 de maio de 2007, como parte da programação de sua visita ao Brasil, que também incluiu as cidades de São Paulo e Guaratinguetá. Em Aparecida, Bento XVI presidiu a Missa de abertura da V Conferência Geral dos Bispos da América Latina e do Caribe, diante de mais de 150 mil fiéis.

Bento XVI durante Missa de abertura da V Conferência do Celam / Foto: Arquivo Canção Nova

Padre Frasson também acompanhou essa visita e disse que o marcante foi justamente a ocasião da V Conferência do Celam, que deixou como fruto o Documento de Aparecida. Na homilia da Missa de abertura do evento, Bento XVI expressou sua alegria com a visita ao santuário que ele chamou de “coração mariano do Brasil”.

Outro momento marcante da visita de Bento XVI a Aparecida foi a oração do Rosário com cerca de 40 mil fiéis na Basílica e o encontro com padres, religiosos, seminaristas e diáconos. Foi também neste dia, 12 de maio de 2007, que Bento XVI ofereceu ao Santuário Nacional uma Rosa de Ouro, dom simbólico que os Papas entregam como reconhecimento de méritos pessoais ou como sinal de devoção particular a igrejas ou santuários.

Francisco

Ao lado do Cardeal Raymundo Damasceno, Papa Francisco segura imagem de Nossa Senhora Aparecida no Santuário Nacional / Foto: Arquivo Canção Nova

A visita mais recente de um Papa a Aparecida foi em julho de 2013. Na época recém-eleito Papa, Francisco veio ao Brasil por ocasião da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro e quis dedicar um dia para visitar o Santuário Nacional, para ir, como ele mesmo disse, “à casa da Mãe”.

“Quanta alegria me dá vir à casa da Mãe de cada brasileiro, o Santuário de Nossa Senhora Aparecida. No dia seguinte à minha eleição como Bispo de Roma fui visitar a Basílica de Santa Maria Maior, para confiar a Nossa Senhora o meu ministério. Hoje, eu quis vir aqui para suplicar à Maria, nossa Mãe, o bom êxito da Jornada Mundial da Juventude e colocar aos seus pés a vida do povo latino-americano”, disse Francisco logo no início da homilia da Missa presidida por ele.

Mesmo com frio e chuva, milhares de fiéis se reuniram na Basílica naquele 24 de julho para ver de perto o novo Papa, que conquistou o povo com sua simplicidade e jeito espontâneo de ser. “Com o Papa Francisco, parece que a gente está em casa, ele está falando coisas diretas para o povo, para as pessoas, falando para o pobre, para o simples. Ele tem essa facilidade de conquistar”, conta padre Frasson. 

Essa espontaneidade toda do Papa argentino ficou evidente na saudação que ele fez de improviso logo após a Santa Missa. Pedindo desculpas por não falar português, Francisco se expressou em espanhol agradecendo a acolhida e pedindo sobre todos a benção da Mãe Aparecida.

“Faço-lhes uma pergunta: Uma mãe se esquece de seus filhos? [Não…] Ela não se esquece de nós, Ela nos ama e cuida de nós. Agora vamos lhe pedir a Bênção. A Bênção de Deus Todo-Poderoso Pai, Filho e Espírito Santo desça sobre vocês e permaneça para sempre”.

 

 

 

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